Fragmentos dos relevos comemorativos da vitória de Emílio Paulo na Batalha de Pidna

Em 168 a.C., Lucius Aemilius Paullus, cônsul em 182, é
reeleito cônsul, aos 60 anos, assumindo o comando da
terceira guerra contra o reino da Macedônia. Na batalha de
Pidna, neste mesmo ano, esmaga o exército de Perseu, pondo
fim à guerra, iniciada em 171, e ao reino da Macedônia,
reduzido então à condição de Província romana.

Perseu era filho de Filipe V, ele próprio derrotado pelo
cônsul Tito Quinto Flaminino na batalha de Cinocéfales de
197 a.C., em comemoração da qual Flaminino manda cunhar um
stater de ouro com sua efígie, à maneira da de
Eumênio II, rei de Pérgamon, testemunho eloquente da
helenização cada vez mais profunda da sociedade romana.

Veja: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3518

A derrota de Perseu, último rei da dinastia dos Antígonas
que reinara desde 179 a.C., terá trágicas consequências para
ele, pois será exibido em cadeias seguindo o carro de Emílio
Paulo no famoso triunfo celebrado então em Roma, ao longo da
Via Sacra, desde a Porta Triumphalis até o templo de
Jupiter Optimus Maximus sobre a colina do Capitólio.

A exemplo do triunfo de Marco Claudio Marcelo, de 211 a.C.,
descrito por Plutarco (Vida de Marcelo), e do de Flaminino,
de 197 a.C., descrito por Tito-Lívio, também no triunfo de Emílio Paulo via-se um enorme aparato de obras-primas da
arte grega, cujo impacto aprofunda ainda mais a influência
artística da Grécia sobre a Urbe. Entre as esculturas
trazidas a Roma, conta-se a estátua de “Atena” de Fídias,
colocada por Emílio Paulo no templo da Fortuna.

Em 167, por determinação do Senado, e segundo Políbio contra
sua vontade, Emílio Paulo submete à escravidão 150.00
Epirotas, e envia à Itália numerosos representantes da elite
política. Em 161, como procônsul, Emílio Paulo expedirá a
Roma a notável biblioteca de Perseu.

O Museu de Delfos conserva fragmentos da frisa com os
relevos comemorativos desta batalha, destinados ao Monumento
a Emílio Paulo, antes consagrado a Perseu, relevos do quais
emerge uma nova concepção das relações entre relevo e
espaço, típica da arte romana sucessiva. Característico
desta operação de transferência cultural é a concepção de
figuras em posição não-paralela ao plano de fundo do relevo,
como se nota no cavalo que se volta para o fundo do relevo
no centro do fragmento superior.

Tem início aqui a longa experiência da apropriação da frisa
grega pelos romanos, apropriação fundamental para toda a
história da arte romana.

Luiz Marques
07/12/2011

Bibliografia
1992 – D.E.E. Kleiner, Roman Sculpture. New Haven, Londres:
Yale University Press, p. 27.

Artista

Anônimo

Data

-168a.C. circa

Local

Delfos, Museu Arqueológico

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

316 - Roma e a Conquista da Macedônia; 316.8 - O rei Perseu e
a Batalha de Pidna 168 a.C.

Autor

Luiz Marques

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