Retrato de Bartolomeo Panciatichi

No capítulo das “Vidas” intitulado Degl´Accademici del Disegno, Giorgio Vasari (1568) escreve:

A Bartolomeo Panciatichi fece (…) i rittrati di lui e della moglie tanto naturali che paiono vivi veramente e che non manchi lor se non lo spirito.

“Para Bartolomeo Panciatichi fez (…) o retrato dele e da esposa tão naturais que parecem de fato vivos e que não lhes falte senão o espírito”.

Panciatichi tem aproximadamente 35 anos quando se faz representar ao lado de seu maravilhoso cão. Da fisionomia afilada parece irradiar um temperamento nervoso que se confirma e se acentua nas mãos, tão languidamente elegante a direita quanto desperta e quase crispada a esquerda.

Só o vermelho das mangas e o ruivo da caprichosa barba de dupla ponta discrepam da frieza dos cinzas da arquitetura, da balaustrada e da mesa cujos planos se multiplicam em escalas diversas e se intersectam em uma “ordem escheriana”.

Embora nascido na França, filho de um grande mercante de mesmo nome, estabelecido nesse país, e embora tenha passado sua primeira juventude na corte de Francisco I, Bartolomeo Panciatichi (1507-1582) pertence a uma família ilustre de Florença que, segundo relata Vasari na Vida de Botticelli, era titular de uma capela na igreja florentina de S. Maria Maggiore.

Membro da Accademia Fiorentina, Panciatichi é autor de poesias em latim e em italiano. Foi amigo de Pontormo e Bronzino, de Doni e de Benedetto Varchi, que lhe dedica um soneto (CCCXII) e a quem ele sucede, após sua morte, na posição de Cônsul da Academia.

Foi proprietário, segundo narra Vasari, de cinco obras de Bronzino, além da grande Assunção da Virgem de Andrea del Sarto, no Palazzo Pitti, pintada inicialmente para seu pai, conforme informa o Anonimo Magliabechiano (1537-1542).

Homem de confiança de Cosimo de´ Medici, Panciatichi é por ele nomeado embaixador de Florença na corte de Francisco I, rei da França. A longa experiência francesa foi decerto um ingrediente importante para a adesão aos ideais de religiosidade reformista, reforçados pela convivência com líderes huguenotes, adesão que lhe custa, quando de seu retorno a Florença, o encarceramento pelo tribunal da Inquisição, que o tortura, juntamente com a esposa, leva-os em procissão pelas ruas de Florença e finalmente os condena em 1552 a abjurar de sua confissão reformista. Em fevereiro desse ano, todos os livros considerados suspeitos de sua biblioteca são queimados pelos inquisidores em praça pública e sob seus olhos.

O duque Cosimo I mantém entretanto seu apoio a Panciatichi e eleva-o em 1567, malgrado a oposição eclesiástica, ao mais alto posto da magistratura, o Senato del Quarantotto.

Luiz Marques
21/12/2010

Bibliografia
2010 – C. Falciani, in C. Falciani, A. Natali, Bronzino. Pittore e Poeta alla Corte degli Medici. Catálogo da exposição. Florença: Mandragora, p. 166.

Artista

Bronzino, Agnolo di Cosimo di Mariano, chamado Il

Data

1541/ 1545c..

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

104 x 84 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *