Suicídio de Catão de Útica

Sobre Marcos Pórcio Catão (95-46 a.C.), ver os comentários a seu retrato no Museu de Rabat* e ao afresco de Beccafumi representando seu suicídio*. Defensor máximo da ordem republicana, Catão suicida-se para não se submeter ao triunfo de César.

O suicídio de Catão é construído por Plutarco XXXVI,70 em cinco momentos: Catão despede-se de seu filho e seus auxiliares; recolhe-se para ler o Fedon, diálogo de Platão sobre a imortalidade da alma; finca-se então a espada no abdome, mas esta não o mata de imediato; é socorrido por seu médico e, enfim, novamente só, reabre com as mãos o ferimento produzido pela espada. A cena representa este último momento e sua ênfase na reexposição das vísceras pode aludir à existência de uma pintura antiga com esta precisa representação. Apiano (Hist. Rom. II, 101) menciona-a ao descrever o Triunfo de César em Roma em 46 a.C.:

Embora evitasse inscrever nomes romanos em seu triunfo, todos os infortúnios estavam representados nas procissões, assim como os homens, em várias imagens e pinturas, exceto Pompeu, que ele não se aventuraria a exibir, pois era ainda muito lamentado. O povo, embora retido pelo medo, gemia pelos males de Roma, especialmente quando viu uma pintura do general Lúcio Cípio jogando-se ao mar, ferido no peito por sua própria mão, e de Petreio, cometendo suicídio no banquete, e de Catão, dilacerando-se como uma besta selvagem.

Anterior talvez à de Guercino em Palazzo Rosso, esta pintura anônima seria a primeira representação conhecida do Suicídio de Catão segundo as fontes textuais antigas, já que a de Beccafumi* não as leva em consideração, preferindo uma fonte visual antiga, o Laocoonte*, talvez sugerindo um sutil paralelo histórico entre os dois “mártires” sobre o pano de fundo da história de Roma. Ela parece reminiscente do culto do orrido propugnado pelas teorizações quinhentistas de Giraldi Cinzio sobre suas tragédias. Pode-se pensar, aqui, numa variante de uma composição de Ribera cuja poética influencia a recepção napolitana do caravaggismo. Há duas menções a quadros de Ribera com este tema em Mayer [1923:79] e num catálogo de leilão berlinense apud Pigler. Em 1932, A. Porcella, ainda apud Pigler, atribuiu-o a Joachim von Sandrart (1606-1688).

Luiz Marques
12/02/2010

Bibliografia:
1974 – A. Pigler, Barock-Themen, 2 volumes, vol. II, p. 376
1997 – R. Trnek, Die Gemäldegalerie der Akademie der bildenden Künste in Wien. Viena, p. 18

Artista

Anônimo napolitano

Data

1630-1640c.

Local

Viena, Akademie der Bildenden Künste

Medidas

134 x 176 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

354B - O suicídio de Catão

Autor

Luiz Marques

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