Vitória (ou o Gênio da Vitória)

Em sua Vida de Michelangelo (1568), Giorgio Vasari menciona a obra apenas de passagem, com uma interpolação sobre sua própria decoração do Salone dei Cinquecento:

“Em Roma, esboçou oito estátuas e em Florença, cinco; terminou uma Vitória sob a qual havia um prisioneiro, hoje em poder do duque Cosimo, doada que foi por seu sobrinho, Leonardo, à Sua Excelência, que a colocou na sala grande de seu palácio, pintada por Vasari”.

Um jovem nu, com um manto sobre as costas, traz, subjugado sob sua perna direita, um velho barbado reduzido a um oprimido agachamento. É extrema a oposição formal e simbólica entre as duas figuras. Enquanto a do velho é reduzida à máxima compressão do bloco, a do jovem projeta-se ascensionalmente em um movimento elicoidal que explora todas as possibilidades do espaço circundante.

A grande cabeça do velho, a única forma claramente distinguível de seu corpo, contrasta com a cabeça diminuta do jovem, em um efeito de anamorfose, de deformação de perspectiva, que magnifica o efeito de projeção ascensional.

Uma datação de pouco sucessiva aos afrescos da Capela Sistina, por volta de 1515c. é cogitável, dadas as precisas semelhanças entre a figura do vitorioso e um dos ignudi. Mas como mostra o desenho dos Uffizi 608Er, as Vitórias previstas no projeto de 1505 e 1513 são femininas e estão ainda vestidas. O desnudamento desta Vitória, sua transformação em figura masculina e, sobretudo, sua forma serpentinada com a cabeça diminuta que lhe acentua o movimento ascensional fazem supor que a obra pertença a um momento ulterior da evolução do sepulcro, situado no terceiro decênio.

O aspecto desconcertante do vitorioso – engajado na situação interativa do jugo, mas alheio em seu abstrato semblante a tal situação – impressionou o conjunto da crítica.

Poucas obras de Michelangelo receberam tantas e tão diversas interpretações. Assim como ocorre com a exegese do Moisés, muitas delas desconsideram o significado vinculante e a função precisa das Vitórias no contexto funerário e celebratório all´antica do sepulcro de Júlio II.

Esta ampla gama de interpretações, foi organizada por Paola Barocchi [1962] em seis vertentes:

1. a interpretação encomiástica de Vasari de uma alegoria das vitórias papais sobre as províncias conquistadas, interpretação que, se pode coexistir com outras, não pode em qualquer caso ser por elas eclipsada;

2. a idéia da Vitória como simples exaltação da força, tal como em Stendhal [1817:II,331]: “Esta estátua teria va

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1520/ 1529

Local

Florença, Palazzo Vecchio

Medidas

261 cm de altura

Técnica

mármore de Carrara

Suporte

Escultura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

11Nike - Nikés e Vitórias; 508 - Mausoléus, tumbas, sepulcros, lápides; 508B - Monumentos funerários

Autor

Luiz Marques

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