Sarcófago Grande Ludovisi. Detalhe

Detalhe do Sarcófago Grande Ludovisi*, de um dos filhos de
Trajano Décio, seja Herênio Etrusco, seja, mais
provavelmente, Gaio Valente Hostiliano Méssio Quinto, morto
na peste de 252.

No detalhe, e ainda melhor no busto do Imperador, conservado
nos Musei Capitolini*, pode-se ver que a testa da figura é
marcada com uma cruz em diagonal (X), possivelmente
designativa da pertinência do jovem defunto ao culto de
Mitra.

Superposta à maiúscula grega “P” (Ro), a mesma cruz em
diagonal “X” forma as duas letras iniciais de XP[ISTOS], e
servirá para designar o signo de Cristo (“XP”) nos séculos
III e IV. Como tal, reza a lenda transmitida por Eusébio de
Cesareia, este signo aparecerá no céu a Constantino, ao lado
da inscrição “In hoc signo vinces”, às vésperas da Batalha
da Ponte Mílvia (312) na qual Constantino derrota Maxêncio e
sagra-se imperador.

O Mitraismo é a religião que mantém com o Cristianismo os
mais íntimos paralelismos simbólicos e rituais, o que bem
explica porque os Pais tão intensamente o demonizam.

É indubitável, por exemplo, o fato que Cristo associa-se,
sobretudo em âmbito imperial, ao Sol invictus e a
diversas outras divindades, tais como Júpiter Heliopolitano
de Baalbeck-Heliópolis ou Bel, de Palmira, mas sobretudo ao
iraniano Mitra, profundamente helenizado desde os primeiros
séculos da era cristã, que, em numerosas inscrições, traz
também o epíteto de Sol invictus.

O culto comum ao Sol invictus de parte de cristãos e
acólitos de Mitra multiplicam-se nos séculos III e IV. Desde
7 de março de 321, Constantino promulga uma lei, presente
mais tarde no Digesto Justiniano, segundo a qual “os juízes,
os habitantes da cidade, os mercadores e artífices devem
descansar no venerável dia do Sol”, isto é, aos domingos.

Desde 336, atesta-se em Roma a celebração do nascimento de
Jesus não mais em 6 de janeiro, dia da Epifania, mas em 25
de dezembro, o Dies Natalis Solis Invicti, o dia de
nascimento de Sol invicto.

O decreto é renovado, enfim, em 354, por Libério, bispo de
Roma, sendo esta nova data do nascimento do Cristo também a
da festa romana do solstício de inverno e a do nascimento de
Mitra.

O sacrifício cruento de Jesus, simbolizado no sacrifício
incruento da Eucaristia, restaura a vida, e é, portanto,
salvífico. Da mesma maneira, uma famosa inscrição latina,
encontrada no Mithraeum de Santa Prisca em Roma, traz
o seguinte fragmento de hexâmetro: “tu nos salvaste ….
vertendo o sangue” (et nos servasti … sanguine
fuso
).

Luiz Marques
04/11/2011

Bibliografia:
1896 – F. Cumont, Textes et Monuments Figurés relatifs au
Culte de Mithra. Bruxelas, 1899.
1921 – L. Patterson, Mithraism and Christianity. Cambridge.

Artista

Arte Romana

Data

151/ 152

Local

Roma, Museo Nazionale Romano, Palazzo Altemps

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

430 - Iconografia funerária antiga; 430A - Cortejos e Cenas
de inumação, cremação ou lamentação; 432 - Sarcófagos e
outros relevos funerários; 432Bat - Sarcófagos com cenas de
batalhas

Autor

Luiz Marques

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