Laocoonte e seus filhos (imagem 6)

“(continuação do comentário à imagem 5 do Laocoonte:
http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3649)

Bem antes da cópia em mármore de Baccio Bandinelli, que
reconstitui hipoteticamente o braço do Laocoonte, lançando-o
acima da cabeça do sacerdote, em correspondência com o texto
de Virgílio –

Veja-se: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=2086

– assistem-se às primeiríssimas tentativas de compreender e
reconstituir a integridade original do grupo, a começar pela
famosa gara (certame) estabelecida por Bramante para
eleger, entre diversos artistas, a melhor cópia em cera
do grupo marmóreo, que mereceria a honra de ser fundida em
bronze na mesma escala do mármore. Na “”Vida de Jacopo
Sansovino”” (1568), Giorgio Vasari refere-se a este concurso
nos seguintes termos:

Essendo per queste cagioni conosciuto Iacopo [Sansovino]
da tutti gl´artefici di Firenze e tenuto giovane di bello
ingegno et ottimi costumi, fu da Giuliano da San Gallo,
architetto di papa Iulio Secondo, condotto a Roma con
grandissima satisfazione sua; perciò che, piacendogli oltre
modo le statue antiche che sono in Belvedere, si mise a
disegnarle; onde Bramante, architetto anch´egli di papa
Iulio, che allora teneva il primo luogo e abitava in
Belvedere, visto de´ disegni di questo giovane, e di tondo
rilievo uno ignudo a giacere, di terra, che egli aveva
fatto, il quale teneva un vaso per un calamaio, gli piacque
tanto che lo prese a favorire e gli ordinò che dovesse
ritrar di cera grande il Laocoonte, il quale faceva ritrarre
anco da altri, per gettarne poi uno di bronzo, cioè da
Zaccheria Zachi da Volterra, Alonso Berugetta spagnolo e
[d]al Vecchio da Bologna; i quali, quando tutti furono
finiti, Bramante fece vederli a Raffael Sanzio da Urbino per
sapere chi si fusse d´i quattro portato meglio.

Là dove fu giudicato da Raffaello che il Sansovino, così
giovane, avesse passato tutti gli altri di gran lunga. Onde
poi, per consiglio di Domenico cardinal Grimani, fu a
Bramante ordinato che si dovesse fare gittare di bronzo quel
di Iacopo; e così fatta la forma e gettatolo di metallo,
venne benissimo: là dove rinetto e datolo al cardinale, lo
tenne fin che visse non men caro che se fusse l´antico; e
venendo a morte, come cosa rarissima lo lasciò alla Signoria
serenissima di Vinezia, la quale, avendolo tenuto molti anni
nell´armario della sala del Consiglio de´ Dieci, lo donò
finalmente, l´anno 1534, al cardinale di Loreno, che lo
condusse in Francia
.

“”Tornando-se Jacopo [Sansovino] por tais razões conhecido
por todos os artistas de Florença e considerado um jovem de
belo engenho e ótimos costumes, foi ele chamado, com
grandíssima satisfação sua, a Roma por Giuliano da Sangallo,
arquiteto do papa Júlio II. E pois que as estátuas antigas
do Belvedere agradavam-lhe sobremaneira, pôs-se a desenhá-
las.

E Bramante, também ele arquiteto do papa Júlio, que gozava
então de primazia e habitava no Belvedere, teve tanto prazer
em ver alguns desenhos desse jovem, bem como uma terracota
de um nu deitado que ele modelara segurando um recipiente
com função de tinteiro, que começou a favorecê-lo e lhe
encomendou uma cópia em cera, em escala, encomenda que ele
passou também a outros, no fito de fundir a melhor em
bronze. Tais artistas eram Zaccheria Zachi da Volterra,
Alonso Berrugete, espanhol, e o Vecchio da Bologna. Mostrou
em seguida as cópias a Rafael Sanzio de Urbino para
determinar quem dos quatro artistas se saíra melhor.

Rafael julgou que Sansovino, tão jovem, tinha de longe a
todos superado, razão pela qual, por conselho do cardeal
Domenico Grimani, ordenou-se a Bramante que mandasse fundir
em bronze a versão de Iacopo. Feito o molde e transposto em
metal, o resultado foi belíssimo. Finalizado o acabamento, o
bronze foi dado ao cardeal, que o manteve em seu poder com
não menos cuidado que se fosse a obra antiga. E, ao morrer,
legou-o como algo preciosíssimo à Senhoria sereníssima de
Veneza, que o conservou por muitos anos nos guardados da
sala do Conselho dos Dez e o doou, finalmente, em 1534, ao
cardeal de Lorena, que o levou à França.””

Paralelamente, uma outra dimensão do grupo do Laocoonte
desponta no rol de suas qualidades modelares. Ele será
considerado um exemplum doloris, isto é, supremo
detentor da representação da dor. O primeiro a tecer tal
reputação é, ao que parece, um poema nascido no ambiente da
Accademia Romana e composto por Elio Lampridio Cerva (1463-
1520). Um dos versos do poema de Cerva afirma, acerca da
escultura:

Hic marmor veri signa pavoris habet
Praecipue simulacra patris miseranda, suasque
Natorum vices flebilis ille dolet
.

“”Aqui o mármore possui os sinais de um verdadeiro pavor /
Sobretudo miseranda é a imagem do pai / que se adolora com a
própria sorte e com a dos filhos””.

(continua no comentário à imagem 7 do Laocoonte)”

Artista

Agesandro, Atanadoro e Polidoro

Data

-40/ 20 a.C. circa ou 14 / 37 d.C.

Local

Vaticano, Museo Pio Clementino

Medidas

242 cm de altura

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

84 - Eneida; 84laoc - Laocoonte II.199-231

Autor

Luiz Marques

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