Hermafrodita adormecido

Descoberto perto das termas de Diocleciano em 1608, o
“Hermafrodita”, de época helenística, tornou-se uma das
peças mais admiradas da coleção Borghese nos séculos XVII e
XVIII. Ela foi restaurada em 1619-16020 por Gian Lorenzo
Bernini para o cardeal Scipione Borghese, e vendida em 1807
pelo Príncipe Camilo Borghese a Napoleão.

O tema baseia-se nas “Metamorfoses” (IV, 25, 285-388).
Ovídio narra aí a história do amor da ninfa Salmacis que,
tomada de paixão pelo filho de Hermes e Afrodite,
surpreende-o durante o banho e, abraçando-o, permanece junto
a ele transformada na criatura andrógina do Hermafrodita.

Bernini fez uma base para a estátua encontrada, composta por
um colchão e um travesseiro, por encomenda do cardeal
Borghese. Segundo Mathias Winner, o escultor escolheu um
modelo contemporâneo de colchão que poderia se encontrar em
qualquer divã das salas da Villa Borghese, renunciando assim
à ideia de representar um leito de relva, que melhor se
adequaria ao texto ovidiano.

Sempre segundo Winner, a escolha deve-se ao conhecimento do
Cardeal Borghese do texto de Plínio (Nat. Hist. XXXIV, 86),
que tratava da obra do escultor Polykles, o Ermafroditum
nobilis
.

O atributo nobilis poderia ser traduzido como “de boa
linhagem”. Dessa forma, para o autor, “o Hermafrodita obra
de Polykles, como outras criaturas híbridas, estava a
serviço de Eros e – segundo uma expressão do mesmo Plínio –
do prazer (deliciis), sendo sem dúvida uma criatura
refinada”.

A figura foi sensualmente esculpida sobre um colchão
marmóreo. Ela volta o rosto para o lado direito, e com a
perna esquerda eleva vagamente durante o sono a manta que
lhe serve de lençol. Dessa forma o colchão feito por Bernini
permitiu a recuperação da aura erótica que havia naquela
estátua antiga.

A representação do dorso e a sinuosidade do corpo da estátua
levam o espectador pensar que se trata de uma figura
feminina, e apenas vendo-a de outro lado é que se divisa o
sexo masculino, gerando um engano ótico e uma combinação
bastante lúdica.

Maria do Carmo Couto da Silva
31/08/2010

Bibliografia:
1998 – M. Winner. “Ermafrodito” In: Bernini scultore: la
nascita del Barocco in Casa Borghese. Ed. A. Coliva, S.
Schütze. Roma: De Luca, pp.124-134.

Artista

Arte Romana

Data

-200/ 100 a.C.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

148 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

12Ven10 - Afrodite e Hermes, o Hermafrodita;
12 - DEUSES E DIVINDADES DO OLIMPO

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *