Parma abraça Alessandro Farnese (Parma abbraccia Alessandro Farnese)

Em 1568, Vasari conclui a Vida de Parmigianino, com uma
breve mas muito elogiosa descrição de algumas obras de
Girolamo Mazzola Bedoli (1500c.-1569), esposo da prima de
Parmigianino e maior herdeiro de sua arte. Entre as obras
por ele descritas inclui-se este retrato alegórico de
Alessandro III Farnese (1545-1592), ainda criança, sendo
abraçado pela cidade de Parma:

Ha ritratto per madama Margherita d´Austria, duchessa di
Parma, il principe don Alessandro suo figliuolo, tutto
armato con la spada sopra un mappamondo, et una Parma
ginocchioni et armata dinanzi a lui
.

“Retratou para Madama Margherita di Austria, duquesa de
Parma, o príncipe don Alessandro, seu filho, todo armado com
a espada sobre um mapamundi, e diante dele uma Parma de
joelhos, vestida com uma armadura”.

A figura alegórica de Parma, que contempla embevecida o
retratado, ostenta na empunhadura de sua espada a cabeça de
um touro (novamente representado no elmo), símbolo da
cidade, figurado em seu brasão, em seu estandarte e em suas
moedas, em recordação do Podestà Torello da Strada que, em
1221, deu início à construção do Palazzo del Comune de
Parma.
 
À esquerda, a figura da Fama sobre o globo, derivada das
antigas Nikai dos Arcos do Triunfo, anuncia com sua
trompa a celebridade do futuro Alessandro III, filho único
de Ottavio Farnese, duque de Parma e Piacenza, e de Madama
Margherita di Austria, filha ilegítima de Carlos V e ex-
esposa do Duque Alessandro de´ Medici, assassinado em 1537.
 
Aos 11 anos, no momento em que Bedoli o representa,
Alessandro é posto sob a responsabilidade direta de seu tio,
Filipe II, que lhe infunde na corte de Madri uma educação
exemplar, cunhada nos mais altos padrões da cultura de corte
e imprescindível ao grande príncipe e condottiere em
que deveria se tornar. Aproximadamente dez anos depois do
retrato, em 1565, Alessando desposa Maria de Aviz de
Portugal (1538-1577), neta de Dom Manuel I, o que o faria,
com a extinção da Casa de Aviz em 1580, um virtual
pretendente ao trono de Portugal, assumido na realidade por
Filipe II.
 
Mazzola Bedoli cria com este retrato alegórico um dos
grandes exemplos do retrato de corte, um gênero adequado aos
valores do novo modelo espanhol, ou hispânico-habsbúrgico,
que domina então a Itália e boa parte da Europa. Ele prima
antes de mais nada pela impassibilidade do retratado, pela
ênfase nos atributos externos e nas diversas texturas da
matéria preciosa (os reflexos magníficos das armaduras, o
ouro, a seda vermelha do collant de Alessandro,
etc.), em suma, pela organização do retrato como uma
totalidade significante que dispensa e mesmo exclui qualquer
foco na fisionomia.

No ano seguinte ao deste retrato, Anthonis Mor (1517c.-1577)
fará de Alessandro outro admirável retrato, datado de 1557 e
executado na Flandres, para onde o futuro condottiere
viaja em companhia da mãe. Veja-se:

http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3556
 
Luiz Marques
12/12/2011
 
 
Bibliografia:
1983 – L. Fornari Schianchi, La Galleria Nazionale di Parma.
Parma, Artegrafica Silva, p. 108
1986 – L. Fornari Schianchi, in V.A., The Age of Correggio
and the Carracci. Emilian Painting of the Sixteenth and
Seventeenth Centuries. Catálogo da exposição, Washington,
New York e Bolonha, p. 59.
1995 – L. Fornari Schianchi, “Ritratto allegorico con Parma
che abbraccia Alessandro Farnese”. In, L. Fornari Schianchi,
N. Spinosa, I Farnese. Arte e Collezionismo, Catálogo da
exposição, Parma, Nápoles, Munique. Milão: Electa, pp. 226-
228.

Artista

BEDOLI, Girolamo Mazzola

Data

1555/ 1556

Local

Parma, Galleria Nazionale

Medidas

149,7 x 117,1 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos;
1700C2 - Retrato Mitológico e Alegórico

Autor

Luiz Marques

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