Dilúvio Universal

Na Vida de Michelangelo, Giorgio Vasari (1568) escreve:

“Mesma arte e juízo demonstrou Michelangelo na cena do Dilúvio, onde aparecem muitas mortes de homens que, em pânico pelo terror daqueles dias, tentam por todos meios salvar a vida. Assim, nas feições daquelas figuras, percebem-se a vida presa da morte, e o medo, o terror e o desprezo por tudo mais. Vê-se a piedade de muitos, ajudando-se mutuamente a galgar em busca de refúgio o cimo de um rochedo. Entre eles, há um homem que, abraçando um meio-morto, tenta o que pode para salvá-lo, e a natureza não o mostraria melhor”.

A fonte é Gn 6, 5-8:

Videns autem Dominus quod multa malitia hominum esset in terra, et cuncta cogitatio cordis eorum non intenta esset nisi ad malum omni tempore; paenituit Dominum quod hominem fecisset in terra. Et tactus dolore cordis intrinsecus: ´Delebo, inquit, hominem, quem creavi, a facie terrae, ab homine ad pecus, usque ad reptile et usque ad volucres caeli; paenitet enim me fecisse eos. Noe vero invenit gratiam coram Domino.

“Iahweh viu que a maldade do homem sobre a terra era grande e que todo objeto dos pensamentos de seu coração era sempre e apenas o mal. Iahweh arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra e irritou-se em seu coração. Iahweh disse: ´Exterminarei da face da terra os homens que criei, e com o homem, também as bestas, até os repteis e até mesmo as aves do céu, pois me arrependo de tê-los feito´. Mas Noé foi agraciado no coração de Iahweh”.

O afresco, o primeiro de toda a abóbada, foi conduzido em 29 jornadas. Trata-se, pois, do afresco de mais lenta execução. Ele é também, com a cena do Sacrifício de Noé, um dos mais gravemente vitimados pela explosão na casa de pólvora do Castel Sant´Angelo em 1797, que explica a grande lacuna na parte direita do céu. A crítica é consensual em reconhecer na execução traços de colaboração de ateliê.

Esta colaboração foi referendada por Colalucci [1990:I,112] que detecta passagens importantes de execução a secco e em têmpera grassa ou de tateamentos na técnica do buon fresco. Tais fatos corroborariam assim o relato vasariano segundo o qual Michelangelo valeu-se, no início de sua empresa, do auxílio de pintores florentinos, que ele logo rechaçou.

Sobre este afresco, Ascanio Condivi (1553) escreveu uma bela página:

“No oitavo [vão] é o Dilúvio, onde se pode ver a arca de Noé ao longe, em meio às águas, e alguns que, para escapar, a ela se agarram. Mais perto, no mesmo pélago, há uma nave carregada de várias p

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1508/ 1509

Local

Vaticano, Capela Sistina

Medidas

280 x 570 cm

Técnica

Afresco

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

514 - Gênese; 514.36 - Dilúvio Universal e recesso das águas

Autor

Luiz Marques

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