Giovanna degli Albizzi, Vênus e as Três Graças

“Três fragmentos dessa decoração foram descobertos em 1873 na
Villa Lemmi, próximo à Florença. Apenas dois foram
adquiridos pelo Museu do Louvre em 1882, pois devido à
retirada da parede, transferência para a tela e transportes
subsequentes (além do mau estado de conservação que já
exibiam) estes eram os que se apresentavam em melhores
condições.

Aceita-se geralmente a identificação das figuras alegóricas
como Vênus seguida pelas Três Graças, que adentram a imagem
pelo lado esquerdo. A movimentação das vestes dessas figuras
colide com a estaticidade e verticalidade da figura isolada
que parece esperar pela chegada das demais. O traje desta é
marrom com uma faixa branca e seus cabelos são quase
totalmente cobertos por um lenço branco. Suas mãos levam um
pano branco na direção da outra figura que se aproxima. Este
é o elo entre as duas metades.

Vênus, discernível possivelmente pelas sandálias que calça
em oposição aos pés nus das Três Graças, presenteia a jovem
com o amor e a beleza imortais. E a tríade feminina das
Graças representa, segundo Sêneca, os aspectos da
generosidade: dar, receber e devolver através de presentes;
e, segundo Edgar Wind, evidenciam ainda as fases da teoria
neoplatônica do Amor. Porém, o que está sendo ofertado
parece importar menos do que o próprio ato de dar e conceder
benefícios ao próximo.

Zöllner cogita a possibilidade dessa obra e de seu
pendant (Lorenzo Tornabuoni sendo introduzido às sete
Artes Liberais) terem sido encomendadas após a morte de
Giovanna em outubro de 1488. Os afrescos seriam, assim, o
retrato de uma reunião ideal entre os noivos no reino da
virtude e beleza imortais.

Nesse caso, a cena se desenrolaria em uma espécie de jardim
imaginário, cuja presença de Vênus, deusa do amor, também se
relacionaria com a busca pelo conhecimento que traz a
imortalidade da alma. Uma certa melancolia e tristeza que se
manifesta no putto à direta parece corroborar um
sentimento de pesar na imagem. Funcionaria, além disso, como
um lembrete de que a morte é inevitável, o que nos remete a
idéia de vanitas e de memento mori.

Ademais nota-se uma combinação de fontes clássicas e
modernas, tanto visuais quanto textuais. A elegância da
linha que adiciona volume aos desenhos de Botticelli não
decepciona o espectador, que mesmo em mau estado de
preservação, observa a maneira como o mestre florentino
constrói a sua arte na busca constante da beleza, harmonia e
graça.

Larissa Carvalho
30/08/2011

Bibliografia:
1938 – J. Mesnil, Botticelli, Paris.
1945 – E.H. Gombrich, “”Botticelli´s Mythologies: A Study in
the Neoplatonic Symbolism of His Circle””. Symbolic Images:
Studies in the Art of the Renaissance, Londres, 1972, pp.
31-81.
1958 – E. Wind, Pagan Mysteries in the Renaissance. Milão.
1976 – H. Ettlinger. The Portraits in Botticelli´s Villa
Lemmi Frescoes. Mitteilungen des Kunsthistorischen
Institutes in Florenz, 20. Bd., H. 3, pp. 404- 407.
1989 – R. Lightbown, Sandro Botticelli. Life and Work. New
York, Abbeville Press.
1998 – F. Zöllner, Botticelli. Images of Love and Spring.
Munique, New York: Prestel.
2005 – B. Deimling, Sandro Botticelli 1445/5 – 1510,
Taschen/Paisagem.

Artista

BOTTICELLI, Sandro

Data

1484c. / 1489

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

211 x 284 cm

Técnica

Afresco transferido sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

12Ven - Vênus, Afrodite; 12Ven20 - Vênus e as Três Graças;
130Gra - As Graças Eufrosine, Tália e Áglae

Autor

Luiz Marques

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