Retrato numismático de Tito Quinto Flaminino

Tito Quinto Flaminino (Titus Quinctius Flamininus, 229-174
a.C.) foi eleito cônsul em 198 com apenas 30 anos, fato sem
precedentes na história romana, assumindo a missão de
comandar a guerra macedônica, iniciada dois anos antes.

O presente retrato numismático – obverso de um stater
de ouro – foi desenhado e cunhado na Grécia em 197 a.C., por
ocasião de sua vitória sobre Filipe V da Macedônia na
batalha de Cinocéfales, vitória que lhe vale um Triunfo e
que o consagra como árbitro e governante de facto das
cidades gregas.

Com a derrota de Filipe V, Flaminino, hábil negociador e
propagandista dos interesse romanos na Grécia, concede
autonomia a todas as cidades gregas, solenemente anunciada
nos Jogos Ístmicos de Corinto na primavera de 196, o que o
leva a ser aclamado como um libertador da Grécia em relação
ao domínio macedônico.

Trata-se do mais antigo retrato seguramente identificável de
um romano ilustre. O fato não surpreende, pois é justamente
a conquista romana dos reinos helenísticos do Mediterrâneo
oriental na primeira metade do século II a.C. que aprofunda
a assimilação da cultura grega e, por extensão, o culto do
retrato público em Roma, prática mantida até então sob
suspeita de favorecer o retorno à monarquia.

Como sabido, na Roma republicana do século II a.C. era praxe
a exibição nos átrios das casas, e em certas ocasiões pelas
ruas, de retratos dos antepassados das gentes
patrícias, executados com frequência a partir de máscaras de
cera mortuárias. Mas não era consentido a membros do Senado
e a generais em triunfo expor em espaços públicos seus
próprios retratos ou cunhar moedas com suas efígies.

Contrariando este interdito, T. Quinto Flaminino, a cujo
notório filo-helenismo associava-se, segundo os convergentes
relatos de Políbio, Tito-Lívio e Plutarco, uma desmedida
ambição de glória, encomenda a um artista grego, logo após
a vitória de Cinocéfales, esta efígie comemorativa, na
melhor tradição helenística, tal como manifesta, por
exemplo, na efígie de Eumênio II, rei de Pérgamon de 197 a
159 a.C. e seu aliado nas Guerras Macedônicas. É instrutivo
comparar esta efígie de Flaminino também com a de Perseu da
Macedônia, como propõe Diane Kleiner (1992), que nela vê sua
mais imediata referência.

Em seu esforço de auto-glorificação, T. Quinto Flaminino não
se restringiu a encomendar este retrato numismático, pois a
biografia que lhe compõe Plutarco informa que uma “sua
estátua de bronze, com uma inscrição em caracteres gregos,
ergue-se em Roma ao lado do grande Apolo trazido de Cartago,
em frente ao hipódromo”, isto é, em frente ao Circo
Flamínio.

Luiz Marques
23/11/2011

Bibliografia:
1939 – F. M. Wood Jr., “The Tradition of Flamininus´
“Selfish Ambition” in Polybius and Later Historians”,
Transactions and Proceedings of the American Philological
Association, 70, pp. 93-103
1992 – D.E.E. Kleiner, Roman Sculpture. New Haven, Londres:
Yale University Press, p. 26.

Artista

Anônimo

Data

-197a.C.

Local

Londres, British Museum

Medidas

desconhecidas

Técnica

Ouro

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

1700B - Retratos Escultura; 1700B1 - Retratos contemporâneos;
316 - Roma e a Conquista da Macedônia; 316.6 - Tito Quinto
Flaminino

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *