Marte e Réia Sílvia

Réia Sílvia é a a última descendente da estirpe de Ascânio, filho de Enéias e fundador de Alba-Longa. O trono de Númitor, pai de Réia Sílvia, é usurpado pelo irmão, Amúlio, que mata seus sobrinhos e faz de Réia Sílvia uma Vestal para impedir qualquer descendência do irmão.

Mas isto não evita que a sacerdotisa de Vesta seja violentada, concebendo dois gêmeos, Rômulo e Remo. O mito é narrado por Tito-Lívio, História de Roma I,4, por Ovídio, Fasti, III,9-40 e, antes deles, por Ênio, Annales 44-45, que dá a Réia Sílvia o nome de Ília.

Tito-Lívio escreve que Réia Sílvia “proclama Marte o genitor de sua ilegítima prole, ou porque nisso acreditasse, ou porque menos desonrosa pareceria sua culpa se o autor do delito fosse um deus”.

Tal é a razão pela qual, acrescenta Ovídio, Rômulo dará o nome de seu pai – Marte – ao primeiro mês do ano no calendário antigo (Mars = Março). Por ordem de seu tio, Réia Sílvia será condenada à morte por afogamento e os gêmeos, como se sabe, escaparão como que miraculosamente do mesmo destino.

Contrariamente à narrativa de Ovídio, que imagina bucolicamente a cena à beira do riacho Egéria, perto de Porta Capena, onde as vestais iam buscar água corrente para seu culto, Rubens mostra Marte abordando Réia Sílvia aos pés do altar de Vesta, cujo fogo sagrado a acólita tem por incumbência manter aceso. Um dos Cupidos segura seu elmo, enquanto o outro desempenha a função de mediador entre o deus e a vestal, de cuja união nascerá Roma.

Luiz Marques
25/01/2010

Artista

RUBENS, Pieter Pauwel

Data

1616/ 1617

Local

Viena, Coleções do Príncipe de Liechtenstein

Medidas

209 x 272 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

304.1.4 - Marte e Réia Sílvia (Ília)

Autor

Luiz Marques

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