Le bivouac des sans-coulottes

A formação de Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) como pintor de paisagem deu-se na Académie Royale de Peinture de Paris e, posteriormente, em Roma, na Académie de France, onde permaneceu entre 1784 e 1787. Em seu retorno a Paris em 1788, depara ele com um universo social já indicativo da Revolução em curso. Adepto do ideal das Luzes, Taunay registrará nestes anos, por meio de sua pintura, os eventos relativos às transformações políticas, encontrando na Revolução um novo e caloroso tema.

Em Bivouac des sans-culottes (Bivaque dos sans-culottes), vemos os principais personagens deste contexto histórico em meio ao descanso noturno. Alguns dormem, outros observam e se divertem perante a fogueira que ilumina a cena, igualmente clareada pela lua no alto da composição.

Luz e a sombra constituem-se elementos fundamentais nesse contexto social iluminista e revolucionário. De maneira estratégica, a luz da fogueira noturna direciona-se às pernas da figura à esquerda da cena que, envolto em seu tecido vermelho, mostra seu papel na história. A luz ilumina ainda a conversação da noite, em direto contraste com a sombra repousante de outros personagens e com a vigilância de alguns que se colocam no alto da cena. Há, ainda, a intuição dos elementos sombrios da mesma revolução, com a detecção de uma certa atmosfera de suspeita que desencadeará os eventos dos anos de 1790.

Podemos ainda pensar na figura do homem que dorme no canto esquerdo da tela como um prenúncio do capricho de Goya – el sueño de la razón produce monstros – de 1799, que, na escuridão, poderia anunciar o terror futuro promovido pelas guerras européias.

Embora a tela de Taunay não demonstre a ação revolucionária em si, faz a ela alusão na representação das lanças dos sans-culottes, signos da iminência do combate. Algumas são empunhadas, outras depositadas no canto da cena, mas estão em geral apontadas para o céu e prontas para a continuidade da luta popular.

A figura escurecida no centro da fogueira, no canto direito da cena, demonstra o potencial da força revolucionária, com a pontuda arma empunhada para o alto que, por sua vez, liga-se de modo direto à clássica e imponente coluna da parte superior.

Taunay demonstra por vezes preferência pelos bastidores do evento histórico, por algo próximo da pintura de gênero, concentrando-se em cenas mais intimistas (como em Cena Militar do Museu Nacional de Belas Artes, L´Armée française descendant le mont Saint-Bernard e Le Passage de Guadarrama, ambas do Musée National des Châteaux de Versailles) dispensando a forte narrativa da pintura de história.

Elaine Dias
04/05/2011

Bibliografia:
2003 – C. Lebrun Jouve, Nicolas-Antoine Taunay 1755-1830. Paris: Arthena
2008 – L. Schwarcz, E. Dias, Nicolas-Antoine Taunay. Uma Leitura dos Trópicos. Rio de Janeiro: Ed. Sextante, 2008.

Artista

TAUNAY, Nicolas-Antoine

Data

1790

Local

Orléans, Musée des Beaux Arts

Medidas

48 x 49 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

SÉCULO XVIII

Index Iconografico

867 - Revoluções modernas até o século XVIII; 867.1789 - Revolução Francesa

Autor

Luiz Marques

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