Duplo retrato de jovens

Registro inventarial: inv. n. 101

O duplo retrato masculino, consagrador de um parentesco, de uma relação discipular, de um fidalgo com seu dileto secretário ou de uma fraterna amizade, como parece ser aqui o caso, é uma manifestação típica da cultura do humanismo, na tradição do pequeno diálogo De amicitia ou Laelius, composto em finais de 44 a.C. por Cícero, que nele encena a amizade entre Lélio e Scipio Æmilianus Africanus Numantinus, dito Cipião Emiliano ou o Segundo Africano (185 – 128 a.C.).

Na pintura do Renascimento, o duplo retrato retoma por vezes a tradição antiga do duplo busto romano e pode ter por vezes uma função mais simbólica, como a de sublinhar uma especial afinidade (ou um contraste) de temperamentos. É o caso, por exemplo, dos retratos de Erasmo com Peter Gillis, pintado por Quentin Metsys e enviado de presente a Thomas Morus, ou o Duplo retrato de Jean de Dinteville e Georges de Selve (os Embaixadores) de Hans Holbein, em Londres (1533).

Na itália, os mais célebres duplos retratos destes anos são sem dúvida os Retratos (supostos) de Andrea Navagero e Agostino Beaziano, de Rafael, na Galleria Doria Pamphilj de Roma (1516c.) e o Autoretrato de Rafael com um Amigo* (por vezes identificado com Polidoro da Caravaggio), do Louvre (1518c.). O duplo retrato de Giorgione* no Museo di Palazzo Venezia, em Roma, pintado entre 1505 e 1510 é outro momento importante deste gênero.

No quadro em exame, não há como identificar os dois retratados, que parecem genericamente pertencer ao patriciado veneziano. A obra pertenceu à coleção Vendramin em Veneza e em seguida à de Charles I da Inglaterra, tendo ingressado na coleção de Luís XIV antes de 1683.

Outrora atribuída a Giovanni Bellini ou a Paris Bordon, ela o é hoje pelo Museu a Giovanni Cariani (1485c. – 1547), pintor ativo em Veneza a partir de 1505c. A atribuição é aceita por Mauro Lucco, que frisa a dependência da obra do Duplo Retrato de Verdelot e Ubrecht, de Sebastiano del Piombo (localização ignorada).

Esta dependência em relação a Sebastiano del Piombo, que parte definitivamente para Roma em 1511, indica uma colocação juvenil da obra no catálogo de Cariani e uma datação próxima de 1510. Tratar-se-ia, se assim for, de seu primeiro retrato conservado.

Luiz Marques
29/10/2010

Bibliografia
1981 – A. Brejon de Lavergnée, D. Thiébaut, Catalogue sommaire illustré des peintures du musée du Louvre. Vol. II – Italie, Espagne, Allemagne, Grande-Bretagne et divers, p. 161
1996 – M. Lucco, Giovanni Cariani, The Dictionary of Art Grove, vol. 5, New York, ad vocem

Artista

CARIANI, Giovanni (Giovanni de´ Busi, chamado)

Data

1510c.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

44,5 x 63 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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