Lorenzo de´ Medici, duque de Urbino

Este retrato, um dos últimos pintados por Rafael, talvez com alguma intervenção de Giulio Romano, foi vendido na Christie´s de Londres em 5 de julho de 2007 e encontra-se atualmente em mãos de um colecionador privado.

Sua encomenda a rafael é parte da política de aproximação de Leão X com a França. Contrariamente à prioridade de Júlio II de expulsar os franceses da península, Leão X prefere urdir uma aliança com Luís XII e, a partir de 1515, com Francisco I, firmada esta última na Concordata de Bolonha em 1515 e consagrada no afresco da Coroação de Carlos Magno na Basílica Vaticana em 800 (1515-1517), no qual Rafael empresta aos traços do imperador franco os de Francisco I, coroado em 1515, e aos de Leão III o de Leão X.

No âmbito dessa política, Giuliano de´ Medici desposara em fevereiro de 1515 a tia de Francisco I, Filiberta de Savóia. A desarticulação dessa aliança com a morte em 1516 de Giuliano, irmão mais jovem do papa, devia ser substituída e reforçada por outra: Leão X promove assim as núpcias de Lorenzo de´ Medici, seu sobrinho, com uma figura central da nobreza régia francesa.

Com efeito, interessado no reino de Nápoles (e, no limite, em se sagrar imperador), Francisco I dá-lhe a mão de sua prima, Madeleine de la Tour d´Auvergne, filha de Jean III de La Tour, Conde d´Auvergne et de Lauraguais, e de Jeanne de Bourbon-Vendôme, descendente de Luís IX. As núpcias são celebradas no Château d´Amboise em 19 de junho de 1518.

Em nome do papa, Lorenzo presenteia ainda em junho o rei e a rainha, Claude de France, com duas obras especialmente encomendadas por Leão X a Rafael, ambas hoje no Louvre. Trata-se da Sagrada Família e do Arcanjo Miguel vencendo o demônio, obra que aludia ao fato de Francisco I ser “grand maître” da Ordem régia de Saint Michel e que se tornará uma das mais prestigiosas insígnias do poder régio na França, anunciador do tema do Rei-Sol.

Rafael pintara ainda, entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 1518, este retrato de Lorenzo de´ Medici, duque de urbino, igualmente enviado à corte francesa e novamente a Urbino em outubro de 1518 para seguir enfim para Florença após 1521, quando o ducado retorna para as mãos de Francesco Maria Della Rovere.

Lorenzo e Madeleine morrem em 1519: Madeleine no início de 1519 das consequências do parto de Catarina de´ Medici, a futura esposa do rei Henrique II e, em seguida (com a morte deste), regente de França. Lorenzo morre em 4 de maio, levado pela sífilis.

Assim como a Giuliano caberia, nos planos do papa, o controle do reino de Nápoles, a Lorenzo Leão X reservava um grande reino da Itália central e setentrional, compreendendo a Toscana, o território de Urbino, de Milão e de Ferrara. Sua morte aos 27 anos trunca definitivamente os planos de Leão X e do Cardeal Giulio, tanto mais que Lorenzo, último herdeiro do ramo principal dos Medici, tampouco deixa descendência válida.

Se seu pai, Piero de´ Medici, nada herdara da grandeza de Lorenzo il Magnifico, de quem era o primogênito, tampouco Lorenzo saberá manter vivo o gênio político dos Medici. Na realidade, a maior razão de sua celebridade, além deste retrato e da estátua* de Michelangelo, que o inventa como um pensieroso, advém, ironicamente, do fato de ter sido dedicatário do Principe de Maquiavel, redigido em 1513 (ed. princeps, 1532), obra que provavelmente ele sequer abriu.

Luiz Marques
06/11/2020

Artista

Rafael

Data

1518

Local

New York, Coleção Ira Spanierman

Medidas

99,5 x 81 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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