A Metralhadora (La Mitrailleuse)

Nascido em uma família progressista – seu pai, Henry
Nevinson, era correspondente de guerra para o jornal
Manchester Guardian e sua mãe, Margareth Wynne, uma
pioneira das lutas feministas – Christopher Richard Wynne
Nevinson (1889-1946) participa com Marinetti do único
manifesto futurista inglês, Vital English Art.

A exposição de arte futurista de março de 1912 na Sackville
Gallery de Londres foi decisiva para ele, que aí encontra,
além de Marinetti, Gino Severini, Umberto Boccioni, Ardengo
Soffici, Amedeo Modigliani e Apollinaire.

Em Paris, ele continua seus estudos na Académie Julien e no
Cercle Russe, declarando seu próprio futurismo em 1912 em
seu perdido Rising City, homenagem ao monumental
La città che sale (A cidade que sobe) de Boccioni, de
1910, comprada em 1912 por Ferrucio Busoni e hoje no MoMA de
New York.

A Guerra leva Neville à Dunkerke como motorista voluntário
da Cruz Vermelha, mas rapidamente o traz de volta à
Inglaterra, combalido por uma febre reumática.

Como tantos outros pintores, testemunhos dos horrores da
guerra, sua experiência do front no inverno de 1914-1915 é
profundamente traumática. Da decisão de pintá-la resulta
então Returning to the Trenches*, hoje em Ottawa,
National Gallery of Canada, e esta La Mitrailleuse
(“A Metralhadora”), obra sombria, assim comentada por
Apollinaire em 1915:

Nevinson traduit le côté mécanique de la guerre actuelle
où l´homme et la machine arrivent à ne faire qu´une seule
force de la nature. Son tableau La Mitrailleuse rend
parfaitement cette idée très juste. Nevinson appartient à
l´école d´avant-garde anglaise où se mêlent les influences
des jeunes écoles de la France et de l´Italie.

“Nevinson traduz o lado mecânico da guerra atual onde o
homem e a máquina chegam a não fazer senão uma só força da
natureza. Seu quadro, ´A Metralhadora´ representa
perfeitamente esta ideia bastante justa. Nevinson pertence à
escola da vanguarda inglesa, onde se misturam as influências
das jovens escolas da França e da Itália”.

Na realidade, Apollinaire não parece advertir que “A
Metralhadora”, embora formalmente reminiscente do futurismo,
não se alinha mais ao elogio da guerra entoado por Marinetti
e outros. Como bem nota Denis Crockett (1995), a obra:

represents the beginning of a series of documentary
subjects rendered in an increasingly naturalistic style
.

De resto, seu objetivo é a denuncia dos horrores da guerra
como um antídoto à propaganda oficial da guerra na
Inglaterra, denúncia que assume tonalidades ainda mais
sombrias em La Patrie, de 1916, ao mostrar a dura
realidade dos soldados feridos em batalha.

Na qualidade de membro do programa de artistas da guerra do
governo britânico, Neville retorna ao front em 1917. Pinta
então um polêmico quadro, representando dois soldados
ingleses mortos no front, em um espírito ainda mais distante
do belicismo futurista. Seu título, Paths of Glory,
inspira-se em um verso do poema de Thomas Gray, Elegy
written in a Country Churchyard
, escrito nos anos 1740:

The paths of glory lead but to the grave
(As sendas da glória não levam senão ao túmulo)

Após as pressões do governo britânico, a tela foi retirada
de sua exposição individual na Leicester Galleries em março
de 1918 e conserva-se hoje no Imperial War Museum de
Londres.

Luiz Marques
30/11/2011

Bibliografia:
1992 – C. E. Doherty, “Nevinson´s Elegy: Paths of Glory”.
Art Journal, 51, 1, pp. 54-61.
1995 – D. Crockett, Resenha de: A Bitter Truth: Avant-Garde
Art and the Great War, by Richard Cork. Art Journal, 54, 3,
pp. 98-101.
1996 – R. Cork, “Christopher Nevinson”. The Grove Dictionary
of Art, vol. 23, ad vocem.

Artista

NEVINSON, Christofer Richard Wynne

Data

1915

Local

Londres, Tate Gallery

Medidas

61 x 50,8 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

SÉCULO XX

Index Iconografico

1100Gue - A Guerra e os Horrores da Guerra; 1463 - O Exército
e o Soldado

Autor

Luiz Marques

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